Lombalgia

A lombalgia — ou dor lombar — é uma das queixas musculoesqueléticas mais frequentes na população e afeta a maioria das pessoas em algum momento da vida. Na grande maioria dos casos, melhora espontaneamente ou com tratamento conservador ao longo de poucos dias ou semanas. O essencial é distinguir uma lombalgia comum, que tende a resolver-se, de uma dor que apresenta sinais de alarme ou características que justificam investigação médica.

O que é a lombalgia

Lombalgia é o termo clínico para a dor localizada na região lombar, entre a última costela e a região glútea. Não é um diagnóstico em si mesmo, mas um sintoma — e é essa a origem de grande parte da confusão que traz as pessoas à consulta.

De forma geral, distingue-se entre lombalgia aguda, quando dura menos de seis semanas; subaguda, entre seis e doze semanas; e crónica, quando persiste por mais de três meses. Esta classificação ajuda a orientar a abordagem clínica e a necessidade de investigação.

Na grande maioria dos casos agudos, a dor é de natureza mecânica e autolimitada: melhora com o movimento, agrava com determinadas posições e resolve-se sem necessidade de exames.

Sintomas da Lombalgia

  • Dor na região lombar, que pode ser difusa ou localizada de um dos lados
  • Rigidez, sobretudo ao levantar da cama ou depois de estar sentado muito tempo
  • Contratura da musculatura paravertebral, palpável e dolorosa
  • Limitação do movimento de flexão, extensão ou rotação do tronco
  • Agravamento com determinadas posições — estar em pé parado, estar sentado, inclinar-se para a frente

Quando a dor irradia para a perna abaixo do joelho, com formigueiro ou perda de força, já não estamos apenas perante lombalgia: há provavelmente envolvimento de uma raiz nervosa, e a investigação muda.

Causas da dor lombar

A dor lombar pode ter origem em qualquer das estruturas da região: músculos, ligamentos, discos, articulações facetárias, articulações sacroilíacas ou nervos.

  • Sobrecarga e contratura muscular, a causa mais frequente na lombalgia aguda
  • Degeneração discal e discopatia
  • Doença facetária — artrose das pequenas articulações posteriores da coluna
  • Hérnia discal, sobretudo quando há dor irradiada associada
  • Espondilolistese e instabilidade vertebral
  • Sacroileíte
  • Posturas mantidas no trabalho e sedentarismo
  • Fatores agravantes: excesso de peso, stress e má qualidade do sono

Em muitos casos de lombalgia aguda não é possível — nem necessário — identificar uma estrutura única responsável pela dor.

Diagnóstico

A avaliação começa pela história clínica e pelo exame físico. Numa lombalgia aguda sem sinais de alarme, não são necessários exames de imagem: a evidência é clara em que pedi-los precocemente não melhora o resultado e aumenta o risco de tratar achados que não explicam a dor.

Os exames de imagem justificam-se quando a dor persiste para além de quatro a seis semanas, quando existem sinais neurológicos ou quando há suspeita de causa específica. Nesse caso, a escolha entre ressonância magnética, TAC ou RX dinâmicos depende do que se procura.

Sinais que exigem avaliação sem demora:

  • Perda de controlo dos esfíncteres ou dormência na zona genital
  • Perda de força progressiva num ou nos dois membros inferiores
  • Dor intensa acompanhada de febre
  • Dor que surge após traumatismo significativo

Dor que não alivia com o repouso e agrava durante a noite

Tratamento conservador

O tratamento da dor lombar assenta, na esmagadora maioria dos casos, em medidas conservadoras:

  • Manter-se ativo — o repouso na cama prolongado agrava e atrasa a recuperação
  • Medicação analgésica e anti-inflamatória por períodos curtos
  • Fisioterapia com programa de reforço da musculatura estabilizadora e correção postural
  • Adaptação do posto de trabalho e das posturas mantidas
  • Controlo do peso e atividade física regular
  • Infiltrações e radiofrequência, na dor persistente com origem identificada

Na lombalgia crónica, o objetivo do tratamento raramente é a ausência total de dor. É recuperar função e autonomia — voltar a trabalhar, a dormir e a mover-se — e é por esse critério que o sucesso se mede.

Tratamento cirúrgico

A lombalgia isolada, sem compressão nervosa nem instabilidade demonstrada, é a situação em que a indicação cirúrgica é mais restrita e mais debatida de toda a patologia da coluna.

A cirurgia tem lugar quando existe uma fonte de dor claramente identificada e uma alteração estrutural correspondente: discopatia com instabilidade, espondilolistese, deformidade progressiva. Nessas situações, a artrodese ou, quando a preservação do movimento é prioritária, a artroplastia com prótese de disco, podem ser opções.

Quando procurar um especialista

  • Dor que persiste para além de quatro a seis semanas apesar de tratamento adequado
  • Dor que irradia para a perna, com formigueiro ou perda de força
  • Episódios recorrentes que voltam com frequência crescente
  • Dor que limita o trabalho, o sono ou a atividade diária
  • Qualquer um dos sinais de alarme indicados acima — nesse caso, sem esperar

Dúvidas frequentes

É uma questão de tempo de evolução, e tem consequências práticas. A lombalgia aguda dura menos de seis semanas e resolve-se, na maioria dos casos, com medidas simples. A crónica persiste para além dos três meses e envolve habitualmente mais fatores — mecânicos, musculares, posturais e por vezes emocionais —, exigindo uma abordagem mais estruturada e multidisciplinar.

Não, e esta é uma das recomendações que mais mudou nas últimas décadas. O repouso prolongado na cama enfraquece a musculatura que estabiliza a coluna, aumenta a rigidez e atrasa a recuperação. O que se recomenda hoje é manter-se ativo dentro do que a dor permite, evitando apenas os esforços que a reproduzem, e retomar progressivamente a atividade normal.

Influencia o conforto e a qualidade do sono, que por sua vez influenciam a perceção da dor — mas não existe um colchão universalmente correto. A evidência aponta para colchões de firmeza média em vez de muito duros ou muito moles. Mais importante do que o colchão é a posição: dormir de barriga para baixo é a menos aconselhável, para qualquer pessoa.

Pode, e frequentemente está — sem que isso torne a dor menos real. O stress e a ansiedade aumentam a tensão muscular, prejudicam o sono e reduzem o limiar de tolerância à dor, o que ajuda a explicar por que razão duas pessoas com achados semelhantes na imagem podem ter experiências completamente diferentes. Nos casos crónicos, ignorar esta dimensão limita os resultados do tratamento.

Dor lombar que não passa?

Marque uma avaliação Uma consulta especializada identifica a origem da dor e define o tratamento adequado ao seu caso.

Dr. Luís Teixeira
REVISTO POR

Dr. Luís Teixeira

Ortopedista•Cirurgia da Coluna Vertebral•Diretor Clínico do Spine Center
Spine Center
Visão Geral

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar-lhe a melhor experiência de utilização possível. A informação dos cookies é armazenada no seu navegador e desempenha funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.