A lombalgia — ou dor lombar — é uma das queixas musculoesqueléticas mais frequentes na população e afeta a maioria das pessoas em algum momento da vida. Na grande maioria dos casos, melhora espontaneamente ou com tratamento conservador ao longo de poucos dias ou semanas. O essencial é distinguir uma lombalgia comum, que tende a resolver-se, de uma dor que apresenta sinais de alarme ou características que justificam investigação médica.
Lombalgia é o termo clínico para a dor localizada na região lombar, entre a última costela e a região glútea. Não é um diagnóstico em si mesmo, mas um sintoma — e é essa a origem de grande parte da confusão que traz as pessoas à consulta.
De forma geral, distingue-se entre lombalgia aguda, quando dura menos de seis semanas; subaguda, entre seis e doze semanas; e crónica, quando persiste por mais de três meses. Esta classificação ajuda a orientar a abordagem clínica e a necessidade de investigação.
Na grande maioria dos casos agudos, a dor é de natureza mecânica e autolimitada: melhora com o movimento, agrava com determinadas posições e resolve-se sem necessidade de exames.

Quando a dor irradia para a perna abaixo do joelho, com formigueiro ou perda de força, já não estamos apenas perante lombalgia: há provavelmente envolvimento de uma raiz nervosa, e a investigação muda.
A dor lombar pode ter origem em qualquer das estruturas da região: músculos, ligamentos, discos, articulações facetárias, articulações sacroilíacas ou nervos.
Em muitos casos de lombalgia aguda não é possível — nem necessário — identificar uma estrutura única responsável pela dor.
A avaliação começa pela história clínica e pelo exame físico. Numa lombalgia aguda sem sinais de alarme, não são necessários exames de imagem: a evidência é clara em que pedi-los precocemente não melhora o resultado e aumenta o risco de tratar achados que não explicam a dor.
Os exames de imagem justificam-se quando a dor persiste para além de quatro a seis semanas, quando existem sinais neurológicos ou quando há suspeita de causa específica. Nesse caso, a escolha entre ressonância magnética, TAC ou RX dinâmicos depende do que se procura.

Dor que não alivia com o repouso e agrava durante a noite

O tratamento da dor lombar assenta, na esmagadora maioria dos casos, em medidas conservadoras:
Na lombalgia crónica, o objetivo do tratamento raramente é a ausência total de dor. É recuperar função e autonomia — voltar a trabalhar, a dormir e a mover-se — e é por esse critério que o sucesso se mede.
A lombalgia isolada, sem compressão nervosa nem instabilidade demonstrada, é a situação em que a indicação cirúrgica é mais restrita e mais debatida de toda a patologia da coluna.
A cirurgia tem lugar quando existe uma fonte de dor claramente identificada e uma alteração estrutural correspondente: discopatia com instabilidade, espondilolistese, deformidade progressiva. Nessas situações, a artrodese ou, quando a preservação do movimento é prioritária, a artroplastia com prótese de disco, podem ser opções.
É uma questão de tempo de evolução, e tem consequências práticas. A lombalgia aguda dura menos de seis semanas e resolve-se, na maioria dos casos, com medidas simples. A crónica persiste para além dos três meses e envolve habitualmente mais fatores — mecânicos, musculares, posturais e por vezes emocionais —, exigindo uma abordagem mais estruturada e multidisciplinar.
Não, e esta é uma das recomendações que mais mudou nas últimas décadas. O repouso prolongado na cama enfraquece a musculatura que estabiliza a coluna, aumenta a rigidez e atrasa a recuperação. O que se recomenda hoje é manter-se ativo dentro do que a dor permite, evitando apenas os esforços que a reproduzem, e retomar progressivamente a atividade normal.
Influencia o conforto e a qualidade do sono, que por sua vez influenciam a perceção da dor — mas não existe um colchão universalmente correto. A evidência aponta para colchões de firmeza média em vez de muito duros ou muito moles. Mais importante do que o colchão é a posição: dormir de barriga para baixo é a menos aconselhável, para qualquer pessoa.
Pode, e frequentemente está — sem que isso torne a dor menos real. O stress e a ansiedade aumentam a tensão muscular, prejudicam o sono e reduzem o limiar de tolerância à dor, o que ajuda a explicar por que razão duas pessoas com achados semelhantes na imagem podem ter experiências completamente diferentes. Nos casos crónicos, ignorar esta dimensão limita os resultados do tratamento.
Marque uma avaliação Uma consulta especializada identifica a origem da dor e define o tratamento adequado ao seu caso.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e o plano de tratamento só podem ser estabelecidos após avaliação clínica individual.
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