O Dr. Luís Teixeira, diretor-geral do Spine Center, foi entrevistado no Bom Dia Portugal, da RTP1, sobre os atrasos nas cirurgias ortopédicas no Serviço Nacional de Saúde e as consequências clínicas do adiamento das intervenções. A entrevista pode ser vista a partir dos 13 minutos.
RTP1 · Bom Dia Portugal Ver a entrevista no RTP Play 27 de agosto de 2026 · a intervenção começa aos 13 minutosA entrevista abre no RTP Play, em separador novo. Conteúdo da responsabilidade da RTP — Rádio e Televisão de Portugal.
O custo clínico de adiar uma cirurgia
A conversa partiu das fraturas do colo do fémur — uma lesão mais frequente em mulheres, com maior incidência a partir dos 80 anos, em que a literatura associa o adiamento da cirurgia para além das primeiras 48 horas a um aumento acentuado da mortalidade.
O Dr. Luís Teixeira alertou, porém, que existem situações em que o adiamento é ainda mais grave: as cirurgias que envolvem a coluna vertebral, sobretudo quando há alterações neurológicas associadas. Nestes casos, cada semana de espera reduz a probabilidade de o doente recuperar plenamente a capacidade de locomoção.
Há ainda um efeito em cascata que raramente entra nas contas das listas de espera. Doentes que aguardam cirurgia ficam frequentemente com mobilidade muito reduzida ou confinados ao leito — muitos deles idosos e com várias patologias associadas — e a imobilidade prolongada pode, por si só, trazer novas complicações: acidentes vasculares cerebrais, tromboses, eventos tromboembólicos e úlceras de pressão. Complicações que, em alguns casos, acabam por retirar ao doente a própria possibilidade de ser operado.
A proposta: colocar o doente no centro
Questionado sobre o que fazer, o Dr. Luís Teixeira defendeu uma mudança de perspetiva — deixarmos de centralizar o problema no sistema e passar a centrá-lo no doente, dando-lhe a possibilidade de escolher o seu médico e o seu hospital, com o Serviço Nacional de Saúde a comparticipar a produção.
Reconheceu que a medida não é inédita — existe na Alemanha, no Canadá e noutros países — e que teria de ser introduzida de forma progressiva, para evitar uma saída súbita de equipas médicas do setor público. Identificou também os obstáculos: o envelhecimento da população, a saída de médicos do SNS e o número elevado de profissionais em idade de reforma.
Avaliar resultados, não apenas números
O ponto que fechou a intervenção é o que mais se aproxima do trabalho diário de uma unidade clínica: as cirurgias não são apenas número. Além do tempo de resposta, defendeu que todos os serviços — públicos e privados — sejam auditados também quanto à qualidade dos resultados obtidos, ao número de complicações e à satisfação dos utentes.
É a mesma lógica que sustenta a nossa pré-avaliação com escalas clínicas validadas: sem medir o ponto de partida e o resultado, não há forma objetiva de saber se um tratamento funcionou.
Sobre o Spine Center
O Spine Center é uma unidade dedicada em exclusivo ao diagnóstico, tratamento e cirurgia das patologias da coluna vertebral, com sede em Coimbra e unidades na Guarda e no Funchal. Foi a primeira unidade de cirurgia da coluna em Portugal certificada pela ISO 9001 e acreditada pela UKAS, e a primeira no país a realizar cirurgia da coluna com neuronavegação e controlo de imagem 3D.
Nem todas as situações exigem cirurgia: a unidade dispõe também de tratamentos não cirúrgicos para o controlo da dor da coluna. Conheça o percurso do Dr. Luís Teixeira e a equipa clínica.
Emissão original: Bom Dia Portugal, RTP1, 27 de agosto de 2026. Conteúdo audiovisual da responsabilidade da RTP — Rádio e Televisão de Portugal. Todos os direitos reservados.

