A cervicalgia — ou dor cervical — é a dor localizada na região do pescoço. É extremamente comum e, na maioria dos casos, de natureza muscular e postural, com resolução em poucas semanas. O mais importante é distinguir uma dor cervical comum, geralmente autolimitada, de situações em que existem sinais de compressão de uma raiz nervosa ou da medula espinal e que exigem uma avaliação mais cuidada.
A coluna cervical é composta por sete vértebras e suporta o peso da cabeça — cerca de cinco quilos — permitindo simultaneamente a maior amplitude de movimento de toda a coluna. Essa combinação de carga e mobilidade explica por que razão é uma região tão sujeita a sobrecarga.
Cervicalgia é o termo clínico para a dor nessa região. Tal como sucede com a lombalgia, não é um diagnóstico em si mesmo, mas um sintoma que pode ter várias origens: muscular, discal, articular ou nervosa.
De acordo com a duração, a cervicalgia pode ser classificada como aguda, quando tem poucas semanas de evolução, ou crónica, quando persiste por mais de três meses. Na maioria dos episódios agudos não existe uma lesão grave identificável e os sintomas melhoram progressivamente. Quando a dor se torna persistente, é importante avaliar outros fatores que podem estar a contribuir para a sua manutenção, incluindo alterações degenerativas, sobrecarga mecânica e fatores relacionados com a atividade diária.

O trabalho prolongado ao computador, a condução e o uso continuado do telemóvel com a cabeça inclinada estão entre os fatores agravantes mais frequentes na população ativa.
Quando a dor se prolonga pelo braço e se associa a formigueiro, alterações da sensibilidade ou perda de força, deixa de se tratar de uma cervicalgia simples e deve considerar-se a possibilidade de envolvimento de uma raiz nervosa cervical. Nesses casos, a avaliação clínica e a investigação são diferentes.
A avaliação começa pela história clínica e pelo exame físico, com teste de mobilidade, palpação e avaliação neurológica dos membros superiores. Numa cervicalgia aguda sem sinais de alarme, não são necessários exames de imagem.
Os exames de imagem justificam-se quando a dor persiste, quando há irradiação para o braço, quando existem sinais neurológicos ou após traumatismo. A ressonância magnética permite avaliar os discos, as raízes nervosas e a medula; a TAC fornece maior detalhe das estruturas ósseas; e os RX dinâmicos podem ser úteis quando existe suspeita de instabilidade.
Os primeiros dois pontos podem indicar mielopatia cervical, uma compressão da medula que tende a ser progressiva e provocar défices neurológicos permanentes se não for identificada e tratada atempadamente.

O tratamento da dor cervical é conservador na grande maioria dos casos:
O uso de colar cervical deve ser limitado no tempo e sempre por indicação médica: prolongá-lo enfraquece a musculatura e agrava o problema.
A cervicalgia isolada, sem compressão nervosa, raramente tem indicação cirúrgica. A cirurgia entra em cena quando existe compressão de uma raiz ou da medula, com sintomas correspondentes.
Consoante a causa, o nível afetado e a estabilidade da coluna, podem ser utilizadas diferentes técnicas:
Pode. As cefaleias com início na nuca e irradiação para a cabeça, chamadas cefaleias cervicogénicas, têm origem nas estruturas da coluna cervical alta e são relativamente frequentes. Sensações de instabilidade ou tontura também podem estar associadas a disfunção cervical. No entanto, as tonturas têm muitas outras causas possíveis, incluindo alterações do ouvido interno, neurológicas, cardiovasculares ou metabólicas. Por isso, sobretudo quando as tonturas são persistentes, intensas ou surgem de forma súbita, não devem ser atribuídas ao pescoço sem uma avaliação adequada.
Não existe uma almofada universalmente correta, nem um modelo que trate, por si só, a dor cervical. O mais importante é que a almofada permita manter o pescoço numa posição confortável e relativamente alinhada com o resto da coluna, sem o deixar excessivamente elevado ou inclinado. Quem dorme de lado precisa de mais altura do que quem dorme de costas. Dormir de barriga para baixo pode ser menos confortável para quem tem dor cervical, porque obriga a manter a cabeça rodada durante períodos prolongados. Se essa posição agravar os sintomas, é preferível tentar dormir de lado ou de costas.
O estalido em si, quando ocorre espontaneamente durante um movimento, não é sinal de lesão. O que se desaconselha é a manobra repetida e forçada para o provocar: além de não tratar a causa da tensão, cria um ciclo em que o alívio momentâneo leva a repetir cada vez com mais frequência. Manipulações cervicais de alta velocidade devem ser realizadas apenas por profissionais qualificados e após avaliação, uma vez que movimentos cervicais súbitos ou excessivos estão associados, embora raramente, a complicações vasculares potencialmente graves.
Numa dor recente, de origem muscular e sem irradiação, os exames não acrescentam informação útil e podem revelar alterações degenerativas frequentes na população e que nem sempre explicam os sintomas. Justificam-se quando a dor persiste para além de quatro a seis semanas, quando irradia para o braço, quando há perda de força ou de destreza, após traumatismo, ou perante febre ou dor noturna que não alivia com o repouso.
Uma avaliação distingue a dor muscular da compressão nervosa — e o tratamento é diferente.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e o plano de tratamento só podem ser estabelecidos após avaliação clínica individual.
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